Tô vivona!
Nesses últimos meses fiquei refletindo bastante sobre o propósito desse blog, sobre como abordar as infinitas questões do consumismo e como não ser irresponsável com um tema tão profundo e, ao mesmo tempo, delicado.
Percebi, contudo, que esse pensamento era pretensioso demais. Então para isso gostaria de retomar o “about”:
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Como defender ou ridicularizar a liberdade de consumo sem entendê-lo?
Qual é o ponto onde a desobediência civil da era da informação ultrapassa seus limites e se torna paternalismo manifesto, uma acusação redundante e falaciosa contra as grandes corporações e marcas?
Pretendo aqui responder essas questões e informar como o consumismo desenfreado vem prejudicando nossa posição na sociedade e, com isso ajudar a entender os nossos desejos e impulsos consumistas não de forma acusadora, mas reflexiva.
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Parece que não ficou muito claro com alguns e-mails que eu recebi, mas tudo o que eu quero é mostrar a minha opinião sobre as pequenas hipocrisias e contradições que cometemos quando queremos “salvar o mundo de nós mesmos”. Responder dúvidas sobre consumismo não como uma profunda estudiosa do assunto, mas pela minha experiência pessoal e sede de curiosidade.
Quero compartilhar isso com vocês e mais: saber opiniões e vivências também. Acredito em debates e posso dizer que essa é a minha ânsia com esse blog.
Voilà!

Produções suecas são tão, mas tão vanguardistas que são confusas. E foi confusão, clichê, e mesmo assim genial o que eu achei de Surplus, um filme de 2003, dirigido pelo italiano Erik Gandin que utilizou uma linguagem de videoclip e rewrite de imagens para falar sobre a sociedade do consumo. E não sejamos cínicos, é praticamente uma daquelas vinhetas da MTV – pra mim, um toque de perspicácia.
Os regimes capitalista e socialista são tratados como irmãos assustadoramente parecidos: usam-se dos meios de comunicação de massa para manipular e iludir seus povos.
E é com essa estética peculiar, montagens ótimas e tema espinhoso que o filme aborda a teoria de John Zerzan, anarquista norte-amaricano que tem como proposta reestabelecer uma condição favorável ao mundo onde o consumo responsável e viável só seria possível se retornarmos ao primitivismo.
Ou seja, independente do regime que você está não há solução. E bem, uma vez que o cara é anarquista o pensamento dele faz muito sentido.
Até aqui, nenhuma novidade.
A primeira impressão é a abordagem da insatisfação. Os cubanos reclamam da falta de escolha, os norte-americanos ou europeus dos excessos de escolhas que estão exaurindo nosso planeta ou os deixando muito conformados com o mundinho em que vivem.
E a minha impressão até essa hora do filme eu resumiria com a frase da imagem acima: “Eu não posso acreditar que ainda estamos protestando contra essa merda”.
Aí, quando eu já tava ranzinza, o diretor me surpreendeu ao questionar o Zerzan: voltar ao primitivismo?
Para Gandini isso não faz o menor sentido, e para basear sua teoria tira Freud da cartola e reafirma que nós somos seres “fadados à insatisfação”. Depois de tanto bater graveto pra conseguir fogueira, já estaríamos pensando em uma engenhoca que fosse capaz de armazenar o fogo e nos servir.
Depois disso, Surplus acaba sendo um tapa na cara de quem acha que todas essas estruturas de poder são alheias a nós, que fazemos parte delas, e que somos os únicos que podem desestruturá-las.
Fica, ao final, um clima de – “estamos em um mato sem cachorro” e não há o que fazer a respeito – contudo, como romper este ciclo é a questão fundamental e que o filme não responde, mas faz melhor: instiga.
Surplus – Suécia, 2003
Direção Erik Gandini
Música original Gotan Project, David Österberg, Johan Söderberg
Documentário, 50 min.
1/5 da população mundial consome 4/5 dos recursos do planeta e produz 86% de todo desperdício.
Enfim, indispensável para falar sobre consumismo.