Aug 13 2010

Propaganda não salva o mundo, não

Não possuo essa fé de que a publicidade é só uma força positiva e que impulsiona o mundo para algo melhor.

As marcas vieram pra lucrar e não pra salvar o mundo, e isso pode ser feito de diversas maneiras, é essa a questão.  Publicidade e altruísmo?  Pura utopia.

O vídeo acompanha a seguinte nota:

“When marketing was born it really was just selling… and that worked then. Then things got sexy. Advertising became the opium. It told us how we should feel; how we could improve; and how we could be popular. Then people figured out that brands weren’t gods… that they were corporations run by guys in suits. So then, marketing went guerrilla…

Agencies told their clients it was all about disruption. That they should ambush their customers with marketing messages. But who wants to be ‘ambushed’ by anyone, let alone someone trying to sell you something?

Today the media is in the hands of the people… sharing information and opinion on brands, publicly and powerfully.

So now, the smart brands talk to people. They keep in touch. They listen. They react. They ask what will make peoples lives just a little bit better…

That might be an app here; a free ticket there; some entertainment over there…

Sure there are companies still telling us we should be this or live that, but that doesn’t bother most of us, because most of us don’t even notice.

Now the smart brands are invited in.

They become incorporated. And, that’s a good thing.”


Jul 29 2010

Cosméticos tóxicos – como se proteger dessa?

Se você já viu a “Campaign for Safe Cosmetics” do The Story of Stuff Project, deve ter se perguntado: e agora? Como saber quais produtos usar e quais não usar?

Fiquei curiosa, mas só encontrei por aqui listas que indicam quais são os produtos que fazem testes em animais.

Até que encontrei o EWG – Environmental Working Group . Lá achei dicas que são destinadas aos consumidores dos EUA, mas ainda assim de grande utilidade para nós.

A pesquisa resultou na listinha abaixo:

Primeiro – nunca deixe de ler o rótulo de um cosmético.

Segundo – procure a lista de ingredientes e conservantes. Tente evitar:

• Substâncias que terminam em “paraben”;

• A hidantoína DMDM;

• uréia Imidazolidinyl;

• Metilcloroisotiazolinona;

• Metilisotiazolinona;

• Triclosano;

• Triclocarban;

• Trietanolamina;

• Produtos que começam com “PEG” ou contêm o sufixo “eth” (por exemplo, laureth sulfato de sódio).

Não subestime os nomes no centro da lista, leia-os.  Você vai encontrar aditivos que podem causar riscos à saúde como perfumes e corantes.

Evite substâncias que levam o nome “[nano]” que são pequenas partículas de conjuntos de átomos, com efeitos ainda pouco conhecidos, mas com segurança contestada pelas associações responsáveis. (por exemplo: dióxido de titânio [nano]).

- Se você está grávida ou tem filhos:

Graças ao seu peso e ao metabolismo ainda incompleto, os bebês e os fetos são muito permeáveis a substâncias tóxicas.

Segue uma lista de sete produtos que recomenda evitar segundo a EWG:

• 2-Bromo-2-nitropropano-1 ,3-diol; BHA;

• Ácido bórico e borato de sódio;

• Dibutil ftalato e tolueno;

• DMDM hidantoína;

• Oxybenzone;

• Triclosano.

Para saber mais – www.cosmeticsdatabase.com.


Jul 27 2010

Cultura do conformismo

Tô vivona!

Nesses últimos meses fiquei refletindo bastante sobre o propósito desse blog, sobre como abordar as infinitas questões do consumismo e como não ser irresponsável com um tema tão profundo e, ao mesmo tempo, delicado.

Percebi, contudo, que esse pensamento era pretensioso demais. Então para isso gostaria de retomar o “about”:

Como defender ou ridicularizar a liberdade de consumo sem entendê-lo?

Qual é o ponto onde a desobediência civil da era da informação ultrapassa seus limites e se torna paternalismo manifesto, uma acusação redundante e falaciosa contra as grandes corporações e marcas?

Pretendo aqui responder essas questões e informar como o consumismo desenfreado vem prejudicando nossa posição na sociedade e, com isso ajudar a entender os nossos desejos e impulsos consumistas não de forma acusadora, mas reflexiva.

Parece que não ficou muito claro com alguns e-mails que eu recebi, mas tudo o que eu quero é mostrar a minha opinião sobre as pequenas hipocrisias e contradições que cometemos quando queremos “salvar o mundo de nós mesmos”. Responder dúvidas sobre consumismo não como uma profunda estudiosa do assunto, mas pela minha experiência pessoal e sede de curiosidade.

Quero compartilhar isso com vocês e mais: saber opiniões e vivências também. Acredito em debates e posso dizer que essa é a minha ânsia com esse blog.

Voilà!

Produções suecas são tão, mas tão vanguardistas que são confusas. E foi confusão, clichê, e mesmo assim genial o que eu achei de Surplus, um filme de 2003, dirigido pelo italiano Erik Gandin que utilizou uma linguagem de videoclip e rewrite de imagens para falar sobre a sociedade do consumo. E não sejamos cínicos, é praticamente uma daquelas vinhetas da MTV – pra mim, um toque de perspicácia.

Os regimes capitalista e socialista são tratados como irmãos assustadoramente parecidos: usam-se dos meios de comunicação de massa para manipular e iludir seus povos.

E é com essa estética peculiar, montagens ótimas e tema espinhoso que o filme aborda a teoria de John Zerzan, anarquista norte-amaricano que tem como proposta reestabelecer uma condição favorável ao mundo onde o consumo responsável e viável só seria possível se retornarmos ao primitivismo.

Ou seja, independente do regime que você está não há solução. E bem, uma vez que o cara é anarquista o pensamento dele faz muito sentido.

Até aqui, nenhuma novidade.

A primeira impressão é a abordagem da insatisfação. Os cubanos reclamam da falta de escolha, os norte-americanos ou europeus dos excessos de escolhas que estão exaurindo nosso planeta ou os deixando muito conformados com o mundinho em que vivem.

E a minha impressão até essa hora do filme eu resumiria com a frase da imagem acima: “Eu não posso acreditar que ainda estamos protestando contra essa merda”.

Aí, quando eu já tava ranzinza, o diretor me surpreendeu ao questionar o Zerzan: voltar ao primitivismo?

Para Gandini isso não faz o menor sentido, e para basear sua teoria tira Freud da cartola e reafirma que nós somos seres “fadados à insatisfação”. Depois de tanto bater graveto pra conseguir fogueira, já estaríamos pensando em uma engenhoca que fosse capaz de armazenar o fogo e nos servir.

Depois disso, Surplus acaba sendo um tapa na cara de quem acha que todas essas estruturas de poder são alheias a nós, que fazemos parte delas, e que somos os únicos que podem desestruturá-las.

Fica, ao final, um clima de – “estamos em um mato sem cachorro” e não há o que fazer a respeito – contudo, como romper este ciclo é a questão fundamental e que o filme não responde, mas faz melhor: instiga.

Surplus – Suécia, 2003

Direção Erik Gandini
Música original Gotan Project, David Österberg, Johan Söderberg
Documentário, 50 min.
1/5 da população mundial consome 4/5 dos recursos do planeta e produz 86% de todo desperdício.

Enfim, indispensável para falar sobre consumismo.


Jan 12 2010

Como você é atingido?

Fiquei martelando aqui em como começar esse primeiro post. Geralmente, eles tendem a ser uma explicação sobre o que é o blog e como ele irá se desenvolver. Pulo essa parte; se você tiver interesse pode acessar o “about” ali em cima e encontrar essas informações.

As ideias de textos que apresentarei sobre a cultura do consumismo e do anticonsumismo são tantas que eu pensei “como fazer isso sem deixar todo mundo absolutamente confuso já na primeira leitura?” sendo clara e direta, obviamente.

Mas tem alguém que já fez – de forma brilhante – esse trabalho.

O vídeo The Story of Stuff tem vinte preciosos minutos de explicação sobre como o consumismo tornou-se parte das nossas vidas, como entramos nesse círculo vicioso e porque é tão difícil livrarmo-nos dele.

Apesar de ser um tema denso o vídeo é bem didático e gostoso, e é uma introdução a um dos temas que irei abordar bastante por aqui.

Espero que gostem.